HOMO MACULATUS

Para mim, uma das maiores evidências de que os seres vivos não foram criados por algo divino (Deus, etc) é a sua própria natureza “suja”, material e mecânica. É como se fôssemos engendrados, arremedados meio que “às pressas”. Não parecemos nada perfeitos ou divinos já que fomos fabricados hidraulicamente, movidos com pistões e tendões e lubrificados com mil gosmas hormonais, e eletrificados por espasmos bio-elétricos.
Se fôssemos como dizem os criacionistas, criados à imagem de Deus, seríamos verdadeiras obras de arte, talvez ocos como a boneca Barbie, mas magicamente móveis, sem o “mecanicismo” grosseiro que nos move. Ou talvez fôssemos preenchidos com matéria sólida, mas divina, que inquestionavelmente nos deixaria sem explicações “materiais”. Ou então talvez, seres de luzes e energia, por que não? Assim todos adorariam o criador sem dúvida.
Mas não: Temos no organismo estruturas “robóticas” que até expressam um tipo de micro engenharia, mas bastante rasteira perante os poderes cósmicos. Temos dor de barriga, vermes, piolhos, câimbras, mau-hálito, etc. Estamos presos numa cadeia natural junto com outros animais, e o universo sempre parece ter existido sem os homens por 99,999% de seu tempo e pelo jeito deve continuar para sempre depois do homem ter perecido.
Estamos presos entre duas eternidades: o passado e o futuro.
É, meu amigo! Não tem com concluir outra coisa! Se houve criação foi no início de tudo, se é que houve um início. Nós, homem, terra, sol, galáxia, e tudo que enxergamos, somos uma parte muito sólida, muito suja até. Não! Não podemos ser divinos. Não viemos do pó, e sim da lama.
O que nos confunde é termos dentro de nós processos de pensamentos. Mas acho que nossa mente é provavelmente uma exceção, uma anomalia no universo que deu certo, ou seja, nos faz pensar! Einstein estava certo em achar que isso é que realmente é o incompreensível.
O que desnorteia é que somos antropocêntricos, mas eu peço bom senso. Pensem que o universo é virtualmente infinito, e em quatrilhões de outros mundos, a mente não vingou. Deve ser muito raro essa “arrumação” dar certo. E só deu certo porque “o mundo é grande”. Muitas sementes apodreceram para que uma (a nossa) vingasse. O problema é a intencionalidade.
Sejamos mais sensatos e mais humildes, e contemplemos a nossa misteriosa existência aqui do nosso canto a regozijar como um ermitão a descansar afortunado na caverna, entrevendo as estrelas e bem aconchegado, ouvindo o barulho das ondas e dos ventos.
Precisamos aprender a nos deleitar com essa dádiva.

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